terça-feira, 28 de outubro de 2008

Crise Económica igual a Fim do Capitalismo? Voltamos ao comunismo?


A Crise Económica tem feito vir a lume uma esperança "engraçada" nas mentes mais à esquerda da sociedade.
Frases do tipo: "Esta é uma prova que o capitalismo não funciona" ou "É o que dá o liberalismo", entre outras.
Outro sinal interessante é o facto do livro de Karl Marx ter subido em flecha nas vendas das livrarias, isto é, a procura de se relembrar quais os pontos principais das linhas comunistas está com todo o seu vigor, quer seja por convicção, quer seja pela expectativa de ter os argumentos na "ponta da língua" para qualquer discussão que seja necessária.

Para a mim esta é uma visão claramente redutora. O facto de ter existido um crash económico tem diversas razões, agora dizer que é a falência do Sistema Económico estruturado no capitalismo, e algum liberalismo, é um exagero!

Aliás, a visão pura do Comunismo rege-se pelo Estado regulador total. Se analisarmos um pouco em pormenor o que se passou com esta crise económica, um dos problemas foi precisamente o não funcionamento do Regulador Estado (aliás este talvez tenha sido o grão de areia que fez o efeito bola de neve).

Em termos práticos os Reguladores assobiaram para o lado e não estiveram atentos (se calhar alguns não quiseram ver) aos riscos financeiros. Acordos como os de Basileia, para avaliação do risco das Instituições Financeiras foram, pelos vistos, esquecidos pelos reguladores, deixando margem "à veia humana mais sedenta do lucro fácil".

Apesar da crise, não é o Comunismo a solução. Os ciclos económicos são mesmo assim, são ciclos.

Os valores dos indíviduos através da meritocracia são fundamentais, ao invés do comunismo que vê todos como iguais (na prática o que aconteceu era que uns eram mais iguais que outros, mas...).

Reforçar que a histeria que se criou acaba por ser um pouco normal.

Considero que na realidade estamos a iniciar um novo ciclo de Capitalismo, um novo ciclo que denominarei como sendo um Capitalismo de Rede Global, isto é, as empresas necessitam de ter uma nova forma de actuar quer internamente na sua estrutura, quer externamente na forma como actuam perante o mercado.

Saber-se desenvolver produtos e serviços em rede, com vários colaboradores que se calhar nunca se viram, com parceiros que estão em locais que desconhecemos e clientes que sabem exactamente o que querem e quando quem são os desafios desta nova Economia de Rede Global.

Assim, acredito que o Mercado mudou, o Capitalismo tradicional está na fase de transição para o Capitalismo de Rede, mas sem dúvida que a Economia de Mercado irá prevalecer e voltar a entrar em laboração.

Esta nova era da Economia virá ao de cima e acredito que esta nova versão de Capitalismo (talvez a versão 2009) irá trazer mais desenvolvimento e inovação para as economias mundiais.

Neste momento são as economias a mudar, acredito que em breve serão os Estados a mudar, mas isso é tema para um futuro post ...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Eleições Regionais dos Açores: Vencedores, Vencidos e Assim-Assim


As eleições regionais dos Açores, ocorridas no passado fim de semana, tiveram algumas surpresas. Por partidos direi que:
1. Partido Socialista - vencedor incontestável em várias frentes, mas parece-me que mesmo assim ficou aquém do que os mais acérrimos socialistas esperavam. Venceu nas 7 ilhas, o que é um dado histórico. Sócrates agradece, é mais um balão de oxigénio para o Continente. Carlos César estará certamente folgado por mais uns anos, com a maioria absoluta;

2. PSD - cada vez mais uma incógnita. Não se percebe onde vai parar. Costa Neves não conseguiu passar nenhuma imagem. Manuela Ferreira Leite não trouxe provavelmente valor acrescentado para fazer o partido reaparecer do marasmo em que caiu não só no Continente, mas também nos Açores, desde a saída de Mota Amaral das ilhas.

3. CDS-PP - outro grande vencedor, senão o maior mesmo da noite. Passou de 1 para 5 o número de deputados. Uma prova que o trabalho local, porta a porta desenvolvido pelos dirigentes locais, em particular pelo seu líder regional, é reconhecido não só em credibilidade, como também pelo seu papel fundamental. Este é um claro sinal de que o CDS-PP vale mais sozinho do que coligado com o PSD. Mais uma vitória de Paulo Portas, que comprovou que o trabalho de "formiguinha" que está a fazer começa a dar resultados, para mal dos que agoiraram o fim não só de Paulo Portas, mas também do CDS-PP. Comprova-se que Portugal necessita de um partido forte de direita.

4. CDU e BE - cresceram, gostariam de ter mais obviamente, mas cresceram essencialmente derivado ao aumento da abstenção e não no número de votos.

5. PPM - a surpresa da noite. É bom para a democracia que hajam estas surpresas para dar força, motivar e incentivar os partidos pequenos.

Questão que fica no ar: Será que estas eleições são semelhantes ao que ocorreria hoje no Continente?
Penso que não, mas há muitas semelhanças provavelmente...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Orçamento de Estado: a Crise que Sócrates necessitava


A crise económica mundial que atravessamos está a ser muito bem gerida pelo Governo liderado por José Sócrates. O Orçamento de Estado para 2009 é exemplo disso mesmo.
O OE2009 apresentado por Teixeira dos Santos é pródigo em apresentar um conjunto de novas medidas, na maioria delas marketing estrategicamente bem gerido, que baseados na crise permitem tomar decisões a pensar nas 3 eleições do próximo ano.

Se se analisar em detalhe algumas dessas medidas, percebe-se que elas pouco impacto em termos globais terão no Orçamento, mas são medidas que há muito os portugueses ansiavam, não só o aumento dos salários da Administração Pública, como redução do IRC para as empresas.

Como em tudo não há bela sem senão, que em termos de OE se fala, em aumento de impostos e redução de benefícios fiscais. Por mim, tudo bem. Acima de tudo, a minha preocupação é que o Governo não caia no erro de actuar desmesuradamente a pensar nas eleições, como é típico nestas alturas, sendo que as "forças" internas do PS muito peso terão.

Nota para a excelente prestação de Teixeira dos Santos, está cada vez mais político e melhor. Neste momento José Sócrates deve valorizá-lo, pois destaca-se e muito dos restantes ministros.

Última nota para a oposição, não se deixem levar na agenda do Governo. Saber ler nas entre-linhas do OE é fundamental, saber acima de tudo comunicar as suas propostas é o que falta. É díficil, eu sei, pois a campanha de marketing que é gerida pelo Governo é enorme e deixa pouco espaço, mas há que trabalhar e passar as mensagens, principalmente as de direita!!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Histeria ou Revolução Económica?


Actualmente a situação nacional e mundial do ponto de vista económico, como é reconhecido, encontra-se num estado de instabilidade como há muitos e largos anos não se via.
Parece-me que neste momento os mercados estão a sofrer essencialmente da "histeria das massas" e de especuladores.
Na realidade a minha visão não é a de "Fim do Mundo", é a de que uma Nova Economia está a começar.
Os modelos de negócios das empresas como as conhecemos hoje vão mudar. As empresas têm de repensar como fazem o negócio, pois a sua forma tradicional de criar valor necessita de ser diferente. Quem se mantiver como até hoje esteve, morrerá certamente.
Os mercados são globais, as empresas têm de saber criar inovações, partilhar recursos, partilhar ideias, saber desenvolver produtos de forma colaborativa.

Assim, para mim, o que se está a passar é o culminar de um modelo económico empresarial e o nascimento de uma nova economia. Muitas empresas vão morrer, mas muitas vão nascer, como novos produtos e tecnologias disruptivas que irão criar novos hábitos e, essencialmente, novas empresas e novos mercados.