quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os Sistemas de Informação como fator de competitividade e aumento de produtividade

A Gestão de Sistemas de Informação é claramente um dos principais desafios que as empresas enfrentam atualmente, derivado à pressão para se atingir maiores níveis de produtividade individual e coletiva, com as consequentes otimizações de processos existentes e mudanças estruturais necessárias.

Vivemos um momento de reformulação completa na forma como as empresas competem. A globalização transformou, e continua a transformar, a forma de fazer negócios. Mesmo os setores primários e secundários estão a competir fortemente com um mercado que já não é só de uma região, de um país ou de um continente. É mesmo uma competição mundial. Isto é, já não basta ser o melhor do meu "bairro", é preciso ser dos melhores daquele mercado específico a nível mundial, caso contrário se há uma fase onde ainda há alguma liderança local, muito rapidamente outros mais fortes virão e ocuparão esse espaço com uma rapidez avassaladora e sem qualquer misericórdia, mesmo em países que ainda são fortemente protecionistas, pois o tempo encarrega-se de "eliminar" essa fronteira. E... depois pode ser demasiado tarde.

Ver artigo completo em: http://www.portalgsti.com.br/2012/09/sistemas-informacao.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Um nível superior de Liderança pelos Portugueses e a Necessidade de Melhorarmos

Os portugueses apresentaram a sua voz, a sua indignação e a sua forma tranquila de demonstrar descontentamento. Foi um excelente exemplo de apresentar aos gestores da sua empresa "Governo", que o caminho apresentado não é do seu agrado. E o problema essencial foi de não verem resultados do seu contributo neste ano e meio de esforço continuado.
O Governo não conseguiu comunicar. Os resultados apresentados são de facto insuficientes perante o esforço dispendido. E é por isso que vários milhares de portugueses sairam à rua, demonstrando que estão unidos em busca de um país melhor, de um país positivo, pois é nisso que acreditam!

A maioria de quem se manifestou procura isso mesmo: um país melhor! Não estava em discussão qualquer dogma ou ideologia política. Estava apenas em causa: Portugal!

Os portugueses demonstraram a diferença com outros povos, como o da Grécia, Itália ou Espanha. A capacidade de fazer manifestações tranquilas, cheias de indignação e de revolta, mas em busca de um país mais positivo. Esta é de facto uma notável demonstração de um nível muito forte da sua cultura, isto é, não é preciso destruir, não é preciso incendiar ou apedrejar para mostrar a indignação. Só por isso Portugal e os portugueses mostraram um nível superior de liderança. Há que dar muito valor a isto!

Infelizmente, estou certo que nos próximos tempos veremos alguns aproveitamentos políticos desta manifestação, de organizadores e de opositores políticos do Governo em busca de protagonismo. Mas, os portugueses não se deixam enganar e perceberão certamente essa tentativa de aproveitamento. E, normalmente, os enganos são por pouco tempo. A manifestação foi em busca de um caminho melhor para Portugal. E é isso que não devem esquecer!

Este foi um sinal de que há a necessidade de parar para pensar! Parar para estudar mais e melhor, onde e como alcançar os objetivos de uma retoma da economia. Os caminhos não são fáceis, todos nós sabemos, mas uma coisa estou certo: é necessário fomentar a economia, não  a asfixiando, pois ela está muito próximo da "secura", do seu ponto mínimo de sustentabilidade.
O fomentar da economia deve estar assente na criação de mecanismos capazes de injeção de capital no mercado, de garantir rotatividade no dinheiro e não é com a "paragem completa" da máquina do Estado que se chega lá. Isto é como um comboio que precisa de chegar a um destino, que ia descontrolado e que foi preciso abrandar, onde os passageiros compreenderam, mas não entendem como se pode chegar ao destino se querem parar o comboio, justificando que é  para garantir que o mesmo não gasta mais combustível. É aí que os passageiros se indignam e se manifestam, pois podem ir devagar, mas querem continuar as suas vidas e chegarem ao destino.

Os portugueses não se esquecem das origens das loucuras feitas e por quem foi feita! Não vale a pena lamentar mais. E são inteligentes o suficiente para reconhecer isso, mas não podem continuar a assistir a uma travagem do seu comboio, quando há ainda muitos vagões que consomem mais do que é normal.

Assim, é necessário agir mais rápido e ter coragem para o fazer. Os resultados têm de aparecer ou ser demonstrado que os Institutos duplicados, as Empresas Municipais esotéricas, as Câmaras e Freguesias que devem ser fundidas, etc. E, é aqui que o Governo tem falhado. Era preferível, por exemplo, manifestações de populações de freguesias ou de autarquias contra as fusões, do que ter um país inteiro em manifestação, pois essas fusões são objetivamente compreendidas, dado que se compreende o princípio da racionalidade e do enfrentar dos poderes instalados. Este é um exemplo de racionalidade. Os cortes das Fundações anunciados são bem vindos e todos agradecem e compreendem, mas é mais um exemplo que podia ter sido certamente feito há 6 meses ou há 1 ano atrás. O fomentar de crédito às empresas, pela CGD e pela banca em geral é essencial, uma vez que a asfixia existente nas tesourarias das empresas tem levado à destruição de valor do país, ao fecho abrupto das empresas e consequente desemprego da população.

Em conclusão, o princípio da "bola de neve" de parar totalmente a máquina, leva à asfixia pura da economia, pelo que não é possível continuar. Há que apostar , há que desbloquear os programas de investimento QREN para as empresas. Neste momento, as empresas que "tinham de morrer" já morreram, mas está-se muito próximo de que as empresas saudáveis comecem também elas a ficar "moribundas". E esse é o problema. É importante mudar. Os portugueses sempre se dispuseram a mudar. Políticas de Austeridade em demasia não, Racionalidade e Rigor sim!

sábado, 8 de setembro de 2012

O Desafio da "pancada" anunciada.

Na sequência do anúncio de ontem do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho das novas medidas de austeridade para o próximo ano de 2013, neste momento, tenho a clara sensação que as medidas anunciadas ontem foram uma forma de iniciar um processo negocial de alinhamento dos próximos passos, de forma a dar uma margem ao Governo para chegar onde quer, isto é, não ter as medidas tão severas, mas ter medidas de "pancada" forte. O Governo é constituído por bons negociadores e por isso a estratégia parece-me delineada: mandar o isco desde já e ir flexibilizando até ao ponto pretendido. 
Este é o processo capaz de dar margem ao PS e ao Presidente da República, bem como ao próprio CDS, para negociação. Esta é a razão pela qual o PS apenas sinalizou a intenção de votar contra no Orçamento, não a oficializou (ainda).

Mas deixando esta lógica negocial, normal de quem está na Gestão da "Empresa" Estado, os portugueses de facto questionam-se sobre o "Porquê de mais pancada?". E parece-me que é aqui que está o cerne da questão, pois passado 1 ano, os portugueses não sentem qualquer resultado, por mais pequeno que seja, do seu esforço feito solidariamente (e obrigatoriamente) neste último ano.

O Governo está a apostar tudo no médio prazo, sem dar nada no curto prazo, naquilo que são "fáceis quick wins" de verdadeira reestruturação da Administração Pública que se notem e, o problema é que com o passar do tempo, as decisões arrastam-se e os "poderes e lobbies instalados" acabam por ganhar a batalha ao resistir. Teria sido muito mais fácil ao Governo cortar rapidamente, antes do primeiro ano, na organização das Fundações, na organização Autárquica, na reestruturação de Institutos Públicos, entre outras ações, do que após um ano. 

A estratégia delineada foi (parcialmente correta) o de fazer "parar a máquina estatal" e o consumo exagerado que existia. Esta é a parte que os portugueses o ano passado compreenderam e, por isso, não houve grandes convulsões sociais. Agora, a realidade é que o processo de travagem foi brutal e asfixiou completamente a economia, pelo que os portugueses questionam por resultados. E, os resultados aparecem pouco, pois só estão pensados na estratégia de médio prazo e sinónimo disso é o sucesso das taxas de juro para Portugal. 
Os portugueses esperavam que os objetivos deste ano tivessem sido alcançados, ou ficado próximo, depois do seu contributo, e não compreendem como é que o défice fica bastante àquem do objetivo, que a despesa da máquina do Estado continue a crescer, etc. E, apesar de muita coisa ser a penalização dos compromissos existentes no passado, essa é uma "conversa que já não pega". Os portugueses gostariam de ter visto: "contribui para corrigir os erros e estou a ver que o meu contributo serviu para alguma coisa", mesmo que os resultados não fossem totalmente alcançados. Mas ... continuam a não ver resultados do seu esforço.

Os cortes continuados sem "libertar" dinheiro no mercado cria uma sociedade asfixiada e sem dinheiro para gastar! Conclusão: "pescadinha de rabo na boca"! O Estado precisa de mais receita, mas não permite aos portugueses gastar, acaba com toda a lógica económica de geração de valor nos fluxos financeiros e com consequente limitação da receita fiscal.
As desigualdades sociais irão aumentar. A classe média portuguesa irá continuar a definhar.

Com isto, o que veremos é que de facto muitos dos elementos jovens mais qualificados do país irão certamente para o estrangeiro, deixando o país "mais pobre" e com uma governação nas mãos de um Governo e Oposição sem experiência real no mercado.
Urge mudar. É crítico que os estímulos sejam dados, que o Estado também procure investir, que desbloqueie vários dos milhões do QREN às empresas, que através da própria CGD garanta financiamento de projetos viáveis, pois nem estes são objeto de análise, quanto mais financiamento.
 
O Governo precisa de saber controlar o "sorvedouro" da máquina Estatal, mas tem também de ser capaz através das suas empresas e institutos investir e financiar em quem procurar empreender e não se resigna com o estado das coisas. Estou certo que Portugal e os portugueses irão ultrapassar o desafio, mas é preciso que consigam ter a energia para se manterem de pé quando chegarem ao final deste projeto, caso contrário "morrem de sede" na areia da praia.
 
Por fim, uma palavra para a Oposição. A Oposição tem sido ineficaz também a vários níveis, pois o BE continua apostado na demagogia pura, o PCP procura manter a política de oposição sindical e ruidosa do "bota a baixo" e o PS que está comprometido com o plano, acabando por não se libertar ainda desse peso. A política "demagógica" dos feudos políticos da Oposição e do não alcançar dos objetivos do Governo estão em ciclo contínuo. Continua-se a não trabalhar em prol do país, mas apenas do pequeno interesse do cancelar proposta "do outro". 
Seriedade na política é essencial e precisa-se. Quando todos respeitam o Prof. Adriano Moreira é por isso mesmo: os seus valores de seriedade sempre se mantiveram! E é por isso que sempre foi respeitado. Sejam sérios e trabalhem para Portugal efetivamente de forma construtiva. Há que controlar e cortar nos gastos, mas há também de criar riqueza!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ROI de Projetos de SI. Calcular é mais fácil do que parece!

Quantas vezes ouvimos em reuniões ou lemos em diversos artigos que é necessário alinhar a tecnologia e o negócio, sendo apontado como um dos aspetos importantes o cálculo do ROI - Return On Investment - do projeto? Quantas vezes a Administração da empresa pede à Direção de Sistemas de Informação (SI) para que apresente uma estimativa de ROI dos projetos a lançar ou dos projetos realizados e em curso? E, sem isso, não aprova o lançamento dos novos projetos!
Este é um desafio cada vez mais normal de ser lançado no mercado de SI, mas são poucos os casos que tenho visto realmente comuns a fazer de forma rotineira. Porquê?
Há muitas razões certamente, mas há uma que tenho identificado como constante e que é: as equipas de SI não sabem como se faz um ROI de um projeto! Noutros casos, os SI estão habituados a serem meros  executantes e desconhecem o que o projeto faz em termos de negócio. Várias vezes oiço "Não sei para que é que aquilo serve. Disseram-me para fazer isto!". E noutros casos ainda, mesmo sabendo o que faz o projeto em termos de negócio, há a dificuldade da equipa de SI em explicitar quais são as variáveis que podem fazer sentido para avaliar o retorno.
Isto já lhe aconteceu? Em tempos também já passei por isso. Quando saí do IST como Engenheiro Informático ensinaram-me a especificar, criar arquiteturas, programar, etc, mas nada de Gestão de SI.  Mas é mais fácil do que parece. De uma forma simplificada, o ROI tem por base dois caminhos de avaliação, que podem inclusivamente ser simultâneos:  a avaliação com base na geração de mais negócio/receita e/ou otimização de processos existentes. Assim, os passos base têm sempre como comparação a situação conhecida, isto é, é comum definir como base comparativa a situação atual, o "nada fazer" e/ou comparar vários cenários alternativos.
O cálculo do ROI começa sempre pela identificação das variáveis em jogo no projeto, que na geração de novo negócio tem associado, normalmente, potenciais de receita vs investimentos feitos. No caso de otimização de processos há, normalmente, uma variável sempre existente - "Tempo". Como se costuma dizer: tempo é dinheiro e é isso mesmo!
Por exemplo, se a implementação de um projeto me reduz em 50% o tempo de um processo, a técnica é quantificar em dinheiro esse tempo. Se uma pessoa demora a realizar uma tarefa 20 horas e com o novo projeto demora 10 horas, isso é dinheiro no final do mês, pois aumenta-se a produtividade da organização.  Se, por outro lado, do projeto há a geração de receitas oriundas do novo produto ou serviço, essa é também uma variável em jogo. A verdadeira questão é: “Quanto dinheiro traz o novo projeto à empresa?”.
E, assim, depois de se identificarem as diferentes variáveis e as suas dependências, tem-se as condições base  para estruturar o modelo de negócio de cálculo do ROI. Há que separar todos os custos de investimento, dos custos de manutenção (todos! há vários "escondidos"), e definir tempo de vida do produto ou serviço subjacente ao projeto. Tipicamente na informática o normal de um ciclo de vida de um produto ou solução são os 4 ou 5 anos, contudo esta é uma variável específica que depende também do mercado onde se encontra a empresa.
O segredo é, comparar um ou mais cenários com o cenário base (normalmente a situação existente) e está identificado o comparativo de ROIs. Com estes dados,  pode-se identificar outros indicadores de projeto como o VAL - Valor Atual Liquido, Margens operacionais, Free Cash Flows, o Custo de Oportunidade de lançamento do projeto, etc.
Aspeto adicional é o de ao longo da execução do projeto escolhido se ir analisando e comparando com o cenário previsto calculado, de forma a conferir a estimativa com a realidade do ocorrido. Este procedimento permite assim a  avaliação do comprometimento estabelecido inicialmente e a aprendizagem do processo de avaliação de ROI para futuros projetos.
Em jeito de conclusão, o aumentar da importância estratégica dos SI está também na sua forma de gestão financeira e nas justificações perante a empresa da sua capacidade de potenciar negócio, demonstrando-o! Os profissionais de SI têm e devem, por isso mesmo, ter cada vez mais conhecimentos de economia e gestão, saindo das suas normais áreas de conforto de "Bits e bytes" e dos "If-then-else". O compreender o negócio é essencial para se poder dar a melhor solução e valor acrescentado. Se nós, os "informáticos", não o fizermos, os SI continuarão a ser vistos como uma continua Atividade de Suporte das empresas e não como uma Atividade Estratégica.