quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A Nova Problemática dos Operadores e a Retenção de Dados das Comunicações

A Directiva Europeia
A Directiva da União Europeia para a Retenção de Dados, de Março de 2006, requer que os vários Governos da União Europeia transponham em lei, o requisito aos Operadores de Telecomunicações e Internet Service Providers de reterem os dados das suas comunicações em formatos disponíveis on-line (em oposição ao anteriormente realizado em formatos de arquivo). Estes dados necessitam de ser armazenados por períodos mínimos de 6 a 24 meses, sendo que no caso de Portugal a lei transposta e aprovada em Julho de 2008 requer um período de retenção de 1 ano.

Porquê esta Directiva?
Infelizmente os factores que levaram a esta necessidade, prende-se com questões ligadas ao terrorismo, tráfico de interesses, narcotráfico e outros crimes. Por esta razão, estas informações residentes nas infra-estruturas das operadoras de comunicações são cruciais para a investigação, dado que saber informações como “quem ligou a quem” ou “quem enviou email a quem” e quando, pode ser o culminar de redes criminosas, que de outra forma não seriam possíveis.

Alguns países já realizavam estas operações, ou parcialmente estas operações, derivado a questões específicas e locais de países como Itália, Inglaterra ou Espanha. O que esta Directiva permite é uniformizar os vários países e conjugarem-se esforços entre as várias Polícias e Serviços Secretos, optimizando os processos intra-comunitários no combate ao crime.

Quais os dados a armazenar?
Em termos práticos e gerais, as Operadoras de Telecomunicações e Internet Service Providers necessitam de guardar todos os registos relativos às transacções realizadas pelos seus clientes e parceiros.

Transacções de chamadas telefónicas, de SMSs, MMSs, emails, fax, navegação web, etc., que guardem informação de quem, para quem, de quando, quanto tempo de ligação ou de chamada, quantos bytes, que telemóvel ou dispositivo iniciou a comunicação, em que antena foi iniciada a ligação, etc.

Isto é, são necessários armazenar todos os dados relativos ao evento/transacção, com excepção do conteúdo desse evento/transacção (até um dia...).

Quais os Custos para as Operadoras?
De facto, esta directiva acaba por ter alguma controvérsia pois acarreta custos elevados em termos de Gestão da Informação que os Operadores de Telecomunicações não estavam preparados. Se os grandes Operadores europeus como a Deutsche Telekom ou a Telefonica conseguem gerir estes custos de uma forma mais ou menos fácil, outros Operadores de pequena dimensão, como por exemplo os da Lituânia, debatem-se com outras dificuldades.

Num Operador de Comunicações português estaremos a falar com um mínimo esperado de cerca de 200 Milhões de registos (chamadas, mails móveis, SMS, MMS, etc.) por dia, correspondentes a 73 Biliões de registos por ano. Se considerarmos que cada registo tem cerca de 200 bytes de informação, teremos por ano em espaço base de ficheiro cerca de 15 Terabytes de informação.

A acrescer a este factor de custo em disco, em sistema de recuperação, em alta disponibilidade, entre outros factores técnicos, existe ainda a necessidade dos tempos de resposta em “tempo útil” (conforme directiva). Este termo pode-se considerar algo vago, contudo são compreensíveis tempos médios de resposta a este sistema que rondem os 15 minutos, o que obriga também a uma capacidade de processamento em hardware e software bastante elevado.

Como se poderá antever a infra-estrutura global a implementar, por parte de cada operador, trará custos elevados que necessitam de ser optimizados ao máximo, por forma a não criar qualquer disrupção orçamental e de arquitecturas existentes nas empresas.

Quais o Métodos para solucionar este Desafio?
No mercado já existem algumas soluções disponibilizadas pelos fornecedores de Software, as quais se dividem essencialmente em 2 grandes grupos de arquitecturas:
  • as suportadas em Sistemas de Ficheiros Proprietários;
  • e as suportadas em Sistemas Analíticos de Bases de Dados.
Como em tudo, há vantagens e desvantagens nos dois sistemas, quando comparados, pelo que os Operadores de Telecomunicações deverão analisar o que melhor se adequa ao seu know-how técnico interno e, acima de tudo, que não criem qualquer disrupção à sua infra-estrutura e arquitecturas existentes.

As vantagens claras e nativas das Soluções de Arquitecturas baseadas em Sistemas de Ficheiros Proprietários são a sua rapidez e a capacidade de compressão dos dados, contudo acabam por ser sistemas complexos e proprietários dificeis de gerir e aceder externamente, a não ser pelo próprio ambiente.

As vantagens das Soluções de Retenção de Dados baseadas em Arquitecturas com Sistemas Analíticos de Bases de Dados são a compreensão facilitada da sua arquitectura standard de mercado, e que se enquadra nos ambientes típicos das Operadoras de Telecomunicações. Para além de serem Soluções Abertas que permitem ser geridas e escaladas facilmente para novas funcionalidades futuras que sejam necessárias, como por exemplo, a necessidade recente de incluir dentro da mesma plataforma os dados dos MVNO – Operadores Móveis Virtuais.

O desafio para os Sistemas Analíticos de Bases de Dados é de facto conseguirem os mesmos rácios de compressão e performance que os Sistemas de Ficheiros mais proprietários. O mercado já dispõe de algumas soluções inovadoras Analíticas que alcançam precisamente estes níveis pretendidos pelo mercado.

Próximos Passos?
Os próximos passos são o de precisamente as Operadoras de Telecomunicações e os Internet Service Providers prepararem-se para estarem conformes a disposição da lei, sendo que terão 90 dias para a sua implementação, após a entrada em vigor da publicação de uma portaria que define as regras de interacção dos Operadores com as diversas áreas da administração interna, da justiça e do regulador das comunicações.

Actualmente, alguns Operadores já estão a avançar na antecipação, e provavelmente bem, pois quando a portaria for aprovada, os tempos para a disponibilização desta infra-estrutura será curto (90 dias), sendo que se pensarmos que só a implementação deste tipo projectos é de pelo menos 3 ou 4 meses, quanto mais cedo começarem mais rápido conseguem disponibilizar a informação, sem sofrerem sanções.

Por isso, antecipem-se, as necessidades da Lei já se conhece.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Mobilidade: A empresa na palma da mão ou o escritório sem paredes?


De há alguns anos para cá, principalmente desde do boom da Internet (ano 2000), se fala cada vez mais de aplicações móveis e de Mobilidade Empresarial. Desde essa altura, a evolução na implementação real da Mobilidade Empresarial, talvez não tem sido tão rápida como alguns analistas de renome indicavam, mas tem sido feita de forma sustentada.
Contudo muitas empresas, muitos gestores e decisores ainda têm algumas reticências, pois continuam a ter dúvidas e colocam várias questões:
  • O que é isso de Mobilidade Empresarial?
  • Qual a vantagem competitiva que posso obter?
  • E os meus colaboradores, será que se irão adaptar?

O objectivo deste artigo é o de procurar dar uma visão geral de Mobilidade Empresarial neste momento e onde poderá apoiar as empresas a ganhar vantagens competitivas, evitando alguns erros típicos cometidos no passado.

Mobilidade Empresarial – O que é isso?

A Mobilização Empresarial é muito mais do que o receber ou enviar emails.

A sua definição pode ser algo complexa de consubstanciar, mas se pensarmos que hoje em dia as empresas dispõem de várias aplicações internas (e processos em formato papel ainda) que suportam as suas operações e decisões, poderemos pensar que qualquer um destes processos e aplicações podem ser alvo de “Mobilização”.

Isto é, consegue-se facilmente identificar que o facto de um comercial ir todos os dias ao escritório para colocar as suas encomendas, é um claro exemplo do que poderá ser tornado disponível numa aplicação móvel. Outro alvo são os processos típicos dos inspectores de uma empresa (de seguros, de electricidade, etc.) fazem na recolha e validação de informação dos materiais distribuidos em vários locais do país.

Estes dois simples exemplos do ponto de vista operacional da vida do dia a dia da empresa servem para clarificar um pouco o que é isto de Mobilidade Empresarial. Mas é muito mais, é também o Presidente da Empresa dispôr na “palma da sua mão” de informação de negócio e de indicadores estratégicos, independentemente de onde ele esteja, que lhe permitam a qualquer momento tomar decisões. Assim, também estou a falar de Mobilização de Aplicações de Suporte à Decisão.

Isto tudo para referir que Mobilidade Empresarial é muito mais do que colocar em PDAs porções de aplicações existentes e operacionais, é também colocar em qualquer lado informação da empresa que seja estratégica e decisiva para a vantagem competitiva desta no mercado.

Para mim, e tentando resumir: Mobilidade Empresarial é colocar o bem mais valioso da empresa, que é a sua informação, os seus dados, em qualquer local, em qualquer dispositivo, com segurança e havendo ou não conectividade à rede.

Mas desenvolver Aplicações Móveis é igual a desenvolver outro género de Aplicações?

NÃO! É mesmo um não em maíusculas.

Há muitas razões, mas direi que as fundamentais estão ligadas à forma de usabilidade de aplicações móveis ou à identificação do que é possível mobilizar.

Muitos projectos no passado falharam, porque os utilizadores não se adaptaram à forma como interagiam com a aplicação, derivado a muitas vezes existir demasiada informação num ecrã, ou por ser demasiado lenta, ou ainda por demasiados passos para terminar um processo. Estas são questões de usabilidade que muitas vezes são descuradas pelos analistas e gestores de projectos, que depois leva ao falhanço do projecto por razões de não adesão por parte dos utilizadores.

O outro aspecto que por vezes se cai é na ânsia da Mobilidade, procura-se mobilizar uma aplicação totalmente e não identificar quais os processos que são passíveis de mobilização. E aqui acaba-se por falhar por inadequação da aplicação ao processo da empresa. Este muitas vezes é o erro típico geral da informática: procurar adaptar aplicações e não analisar processos para os optimizar.

Escritório Móvel? Os meus colaboradores já não vêm cá?

Pois é, será que isto acontece com a Mobilidade? Será que eu, como gestor da empresa, vou deixar de ver os seus colaboradores e deixa de saber por onde eles “andam”? A resposta a esta e outras questões do género é “Nim (Sim e Não)”.

Pode parecer confuso, mas na realidade é simples.

Em áreas como a comercial o que interessa mais é que este tipo de colaboradores estejam idealmente a realizar reuniões, propostas, avaliação de leads e oportunidades, etc. E a maioria destas actividades está normalmente fora do escritório. Num cenário quase ideal, direi que o director comercial reuniria uma vez por semana para definir e alinhar estratégias e nos restantes dias da semana não veria mais nenhum dos seus elementos da equipa no escritório. Porquê? Porque se os comerciais tiverem a capacidade de terem no seu PDA e/ou portátil a informação necessária de preparação da reunião, a possibilidade de processar automaticamente encomendas e de recepção de listas de preços actualizadas, bem como das rotas de visitas a realizar, evitavam a necessidade de ao final do dia terem de se deslocar ao escritório para realizarem todos estes processos e focam-se mais nos objectivos a cumprir.

Quem ganha? A empresa e o colaborador.
A empresa porque de um lado centralmente conseguiria gerir à distância todo o processo de venda e de produtividade dos colaboradores, permitindo ganhar mais tempo aos seus comerciais fazerem mais visitas e consequentemente mais negócio.
O colaborador que tem mais tempo para fazer o seu trabalho comercial no horário normal de trabalho e consequentemente mais negócio e comissões, bem como dispôr de melhor nível de qualidade de vida pessoal.

Tal como este exemplo na área comercial, podem-se extrapolar para outras áreas da empresa. Mas será que o escritório vai deixar de ter colaboradores? Não, naturalmente que não, pois existe um conjunto de tarefas que terão de ser sempre realizadas de forma central e não distribuída, apesar de “não haver limites”nesta área.

Hoje eu consigo estar a responder a emails na praia quando estou de férias, a fazer propostas quando estou à espera de entrar para reuniões, a gerir colaboradores através do Messenger e até a receber formação quando estou numa esplanada ao final do dia a descomprimir de um dia de trabalho.

Conclusão: a mobilidade dá mais liberdade, mais produtividade e maior controlo à empresa e aos seus colaboradores.