quarta-feira, 30 de março de 2011

Os 3 Estarolas: O coitadinho, o ansioso e o credível


(Artigo publicado no jornal online Odivelas.com)

E aí estamos finalmente perante um novo estado de alma em Portugal. 

No 1º artigo que escrevi para o Odivelas.com, no passado mês de Dezembro de 2010, com o título “Mea Culpa, o Volte Face ou a Estocada Final” referi muito simplesmente que “ou Sócrates muda o rumo rapidamente e põe-se novamente nas ‘rédeas e comando’ da sua equipa, ou será um definhar até à estocada final em sessão pública” . De facto, em 3 meses foi o que aconteceu: José Sócrates teve a oportunidade de renovar o seu governo e dar novo alento e nova imagem, mas penso que não o quis (ou pode) fazer e foi indo moribundo até ao provocar da sua queda.

A minha visão sobre esta queda governativa é que foi provocada de forma intencional pelo próprio primeiro ministro, pois percebeu que tinha de criar uma teatralização do cenário de “beco sem saída” em que estava. O PSD acabou por “morder o isco” e não ter a agilidade suficiente de colocar o PS e o Governo à sua mercê. Neste momento a técnica de vitimização de José Sócrates foi muito bem sucedida. A imagem que conseguiu passar ao “povo português” menos atento e farto das tricas políticas foi o de alguém que estoicamente procurou defender Portugal e os portugueses do “mal”, e os “malandros” do PSD  não o deixaram, pelo que o “mal” vem aí. José Sócrates foi o vencedor político daquela noite.

A ânsia de poder toldou a visão do PSD durante a semana antes da demissão do Governo, como os ratos quando sentem o cheiro a queijo e se encaminham para o centro da ratoeira. Na minha opinião isso será uma falha que o PSD irá pagar nas próximas eleições. Ainda não era o tempo, ou pelo menos, a forma como precipitou a queda do Governo não foi seguramente aquela que lhe permitiria sair “por cima” do confronto político.

Mas como serão os próximos tempos?

É muito simples. O circo já está montado. A máquina e o marketing do PS já estão montados. O cenário do “coitadinho” está em marcha, o forçar das notícias sobre as influências da queda do Governo na economia e no agravar da crise sairão sem parar todos os dias, com o intuito de reforçar o “eu avisei, mas não me deixaram” ou o “eu era o salvador do país, mas crucificaram-me como Jesus Cristo”. São estas as imagens que será passado ao povo português. São estas imagens que serão retidas.

Em paralelo, a máquina e o marketing de José Sócrates terá um caminho mais obscuro e menos claro: o da saída de noticias e cenários obscuros contra a concorrência, através de criação de factos, usando as redes das avenças jornalísticas subtis de agências de comunicação. Veremos muitas notícias “sujas” a saltaram diariamente para primeiras páginas de jornais, com casos BPN ou casos submarinos.
Estas são 2 linhas montadas pelo PS de José Sócrates.

O PSD se quer ganhar eleições, e manter a vantagem que aparentemente tem das sondagens, não pode ter várias vozes, nem demonstrar a ansiedade de chegar rapidamente ao poder, pois é essa ânsia que se transforma muito rapidamente em ganância e os portugueses percebem. Passos Coelho tem de se manter num guião pautado e sem desvios de linguagem. Tem de ter a sobriedade de ignorar os ataques sujos que irão aparecer. Tem desde já demonstrar que se compromete com a criação de riqueza na economia e cortes no desperdício do Estado. Criar riqueza, não por via simples de ter receita de impostos, mas por criar valor na economia através da fortificação de uma maior liberalização de mercado no sector terciário, com a criação mecanismos de incentivos aos sectores primário e secundário onde ao longo dos anos Portugal ficou claramente dependente e deficitário do estrangeiro. Cortando no desperdício do Estado, em particular reduzindo o número de organismos públicos, aligeirando processos burocráticos, bloqueando corporativismos existentes, etc. O comprometimento antes de eleições dar-lhe-á autoridade e força a seguir às eleições para a execução dessas tarefas, não o fazendo desde já torna-o vulnerável a seguir.

Em relação ao CDS de Paulo Portas, tem sido o único partido do espectro político com um discurso coerente ao longo dos últimos 2 anos, pelo que tem também de evitar o “deslumbramento do poder por perto”.  O crescimento do CDS deverá ter uma vertente muito forte na óptica da credibilidade dada. É fundamental que a “natural ansiedade pelo poder” não se sobreponha ao trabalho feito de nestes últimos anos, isto é, a linha de discurso global da equipa CDS antes, durante e após as eleições deve manter-se exactamente como tem sido, isto é, tem de procurar fazer sempre propostas realistas e evitar a demagogia fácil.

O CDS tem neste momento uma população leal e que compreende o que está em causa. É por isso que o CDS não pode desiludir as pessoas, se quer ganhar eleições e crescer num futuro a médio e longo prazo. Para não desiludir, tem inclusivamente que se preparar internamente para o cenário de “não integrar o governo”. É preferível manter os valores credíveis e a imagem do partido, a fazer uma coligação “com alguma vergonha”. As pessoas actualmente têm uma opinião de que o CDS se manteve sempre coerente e sem zigue-zagues de discurso. Não pode e não deve fazer cair o trabalho feito.

Creio que o próximo mês será crucial na confirmação destas minhas opiniões. A “guerra política suja” já iniciou. Penso que as opções dos 3 principais partidos são estreitas e de margens curtas de erro na estratégia a implementar. A população está cansada, pelo que ganhará mais aquele que ignorar a sujidade e levar a campanha pela positiva e pela realidade.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ide-velas: a queda das promiscuidades partidárias e o nascer de uma sociedade de meritocracia

(Este é um artigo de Política Local publicado no Jornal Online Odivelas.com)

O país de Ide-velas, após a queda do muro de Berlim, alcançou a independência, permitindo a ambição de liberdade que há tantos anos ambicionava.
Nesta fase do país as 3 forças partidárias de ideologias muito diferentes uniram-se no desejo colectivo de alcançar a estabilidade e o progresso de Ide-velas, formando então um governo de transição democrática.
Contudo a história que tinha tudo para ser bonita, rapidamente se começou a transformar num desejo puro e duro de poderes e de ocupação de lugares públicos  que pudessem contribuir para os interesses corporativos dos líderes do país.
Esta “corrida” pela ocupação e distribuição de lugares, continuou por muitos e vários anos, agravando-se com o facto de não haver rigor nos gastos públicos, que como consequência trouxe  uma crise económica grave que não permitia fazer crescer o pais, asfixiando a população em termos da sua qualidade de vida e da sua ambição como pais.
Várias foram as eleições, que serviam para durante 15 dias desunir os partidos simbolicamente, mas que se juntariam sempre após a noite das eleições. Estas uniões eram tão sintomáticas da falta de bom senso de quem liderava que até se trocavam acordos políticos de coligação por avenças anuais de escritórios de profissionais liberais dos lideres partidários de forma continua e recorrente nos vários níveis governamentais. Esses lideres continuaram de forma pura e singela a passear-se junto da população a dizer que os amava e os defendia, mas a realidade era outra.
Quem sofria com estas questões eram sempre os mesmos, as pessoas honestas que vivem do seu trabalho honesto.
Entretanto a Internet trouxe as redes sociais, a qual permitiu dar a voz a estas pessoas honestas, fê-las unirem-se para divulgar a sua angústia e revolta contra os seus governantes. Têm visto os países vizinhos com os mesmos problemas onde a população conseguia mudar governos e começava a ambicionar os mesmos resultados para o seu país.
Alguns anos mais tarde esta união e divulgação das obscenidades praticadas pelos políticos sem escrúpulos permitiu que a revolta silenciosa se transformasse em revolta digital e real, fazendo derrubar estes interesses instalados e rejuvenescendo o governo com novos hábitos de exigência e responsabilidades do saber o que é serviço público.
Ide-velas mudou para melhor, permitindo o crescimento próspero através de níveis de exigência e de controlo por objectivos do governo, afastando compulsivamente quem procurava voltar a esquemas antigos de corporativismos. O mérito individual transformou-se no centro de crescimento das pessoas, fazendo eclodir o país próspero, inovador e líder no mercado mundial.
Rui Ribeiro