quarta-feira, 25 de julho de 2012

Plano Estratégico de Sistemas de Informação? Porquê? E para quê?





A evolução tecnológica das empresas ao longo dos tempos tem procurado acompanhar principalmente as necessidades de negócio, numa ótica muitas vezes departamental e sem uma visão integrada ao nível do core business da empresa. Isto tem levado a que dentro das organizações se criem vários "cogumelos" de informação sem capacidade de integração de informação ou de integração tecnológica estruturada. Este facto acaba por levar ao aumento de recursos humanos, financeiros e tecnológicos (hardware e software) dentro das empresas, parecendo muitas vezes que se está perante uma encruzilhada e "sem saída".
Este é um fenómeno recorrente nas empresas, pelo que é importante garantir ao longo da vida empresarial que se aprende com os erros do passado e com as melhores práticas de mercado, de forma a não se cometerem os mesmos percalços e decisões incorretas. 
No mercado competitivo atual, os Sistemas de Informação (SI) não podem ser apenas as tradicionais atividades de suporte, conforme muitos aprenderam com a Cadeia de Valor preconizada por Michael Porter. Os SI são hoje um motor estratégico no aumento do valor acrescentado oferecido ao mercado, tendo assim um papel não só interno de melhoria na eficiência, através da otimização de processos, como também um papel cada vez mais externo na criação de atividades novas e inovadoras, nomeadamente no disponibilizar de novos produtos ou serviços ao mercado, tornando-se assim uma área de negócio diferenciadora, por vezes, na própria organização . É nesse sentido que os SI têm também um papel estratégico na sustentabilidade futura das organizações.
Assim, há a necessidade de olhar para os SI também de uma forma diferente, isto é, tal como há a estruturação de uma visão, de uma missão e de uma linha estratégica para a empresa através de um Plano, há a necessidade também de se fazer acompanhar o nível de topo com um Plano Estratégico de Sistemas de Informação. 
Este é um documento que sustentará a evolução tecnológica da empresa por um periodo de 3 a 5 anos que, ao contrário do que já vi, não podem ser meras descrições tecnológicas do que existe nas organizações. Este é também um documento essencialmente de negócio e não técnico. É um documento para ser lido e analisado pelas Administrações das empresas, pois visa a orientação futura e estratégica do negócio. 
Existem várias formas de apresentar o documento, o qual deverá ser adequado também à própria empresa, contudo considero que há 4 capítulos essenciais que o Plano Estratégico de SI deve ter: a análise dos processos de negócio da empresa e onde os SI podem apoiar (Alinhamento SI e Negócio), a análise do estado atual dos SI (ponto de partida), o objetivo final de posicionamento no final do periodo e a estratégia de como faseadamente lá chegar (Faseamento para alcançar de objetivos), e a definição dos parceiros tecnológicos preferenciais no apoio à estratégia (Tecnologias).
Aspecto essencial deste trabalho é a sua necessidade de avaliação da sua execução e a sua revisão, as quais deverão ser realizadas de forma periódica. A avaliação, através de ferramentas mais ou menos avançadas, permite garantir e analisar o cumprimento das fases definidas para cada uma das componentes da estratégia, bem como corrigir situações eventualmente menos conseguidas, para além de se utilizar esta tarefa de avaliação para realização de benchamarking com o mercado. A revisão prende-se com a tarefa de garantir que há uma análise das eventuais alterações de contexto, quer interno, quer externo à organização, e que obriguem a alterações da própria estratégia de negócio e consequentemente do seu alinhamento com os Sistemas de Informação.
Como conclusão final deste tema, resta-me alertar para o facto de ser necessário também garantir o envolvimento claro da organização, pelo que o sociopolitico é fundamental no assegurar da execução do Plano Estratégico de SI. Acresce o fato de ir aprendendo com os erros e com a evolução da maturidade da própria organização, a qual não é toda uniforme, isto é, nem todos as unidades de negócio andam à mesma velocidade e isso tem de ser acompanhado.
(artigo publicado no Caderno Semana Informática do Jornal de Negócios do dia 25 de Julho de 2012)