quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Importância dos Sistemas de Informação na Competitividade Empresarial

(Artigo publicado da Edição SOL de 12 de Fevereiro de 2010 - http://www.sol.pt/)
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Este artigo pretende identificar conceitos e pontos críticos de sucesso para as organizações ao nível do papel que os Sistemas de Informação (SI) podem ter na tomada de decisões de negócio. Não pretende dar regras de implementação, nem algoritmos estritos de execução. Trata-se por isso de um artigo de identificação e de análise, em virtude da experiência que tenho tido em implementações de SI. Todas as implementações são dependentes do contexto organizacional em que se encontram, contudo existem diversos factores críticos de sucesso comuns nas várias implementações de Sistemas de Informação.

1- A importância da Competitividade Empresarial
O mercado empresarial encontra-se hoje num ritmo de desenvolvimento e de agressividade competitiva que nunca existiu. Este facto obriga a um dinamismo elevado a vários níveis, pois já não basta ser eficaz, é fundamental ser eficiente e gerar novos negócios. É por isso que a modernização das empresas é cada vez mais um desafio para todas as direcções empresariais. Quem não o fizer de forma contínua e constante, neste mercado global, está condenado a desaparecer naturalmente da “cadeia alimentar” empresarial, à semelhança do que ocorre na teoria descrita por Darwin relativamente à sobrevivência das espécies.

O aspecto crítico construtivo de como se questiona internamente e de forma constante se “estamos a fazer bem?” ou “onde podemos melhorar?” é crucial para essa auto-análise da vida em qualquer organização, a qual se deseja com futuro.

A evolução e modernização passam por formas mais optimizadas e ágeis de melhorar os processos internos, bem como criar constantemente novos produtos e serviços capazes de alavancar, ou potenciar, esse ciclo de inovação necessário à constante presença (e liderança) de mercado.

Esta agilidade e velocidade de reacção que as empresas necessitam de ter, estão hoje centradas na sua base na existência de um forte suporte de Sistemas de Informação, capazes de dotar a empresa com uma infra-estrutura que não estranguloe os actuais e os novos desafios de negócio. Acima de tudo, os Sistemas de Informação já não são um acessório, são claramente uma peça do motor de produção das organizações.

A preocupação em ser ágil é também um aspecto crítico na competitividade. Uma empresa ágil é aquela que está mais apta a reagir ao “desconhecido”, ao factor competitivo que não é esperado, à concorrência mais agressiva e capaz de elevar os níveis de competitividade a padrões mais elevados em vários segmentos de mercado.

Na gestão da competitividade da empresa o saber identificar entre o que é Estratégico e Operacional e entre o Prioritário e Urgente são elementos chave. O papel do líder de Sistemas de Informação (CIO – Chief Information Officer) é de extrema importância na organização, pois as suas características profissionais têm de lhe permitir identificar qual a plataforma ou solução aplicacional que é urgente ou prioritária para o negócio. Se não o souber, o CIO coloca em risco os timings da empresa e da sua sobrevivência no mercado.

O aspecto crítico dos Sistemas de Informação encontra-se cada vez mais a este nível, isto é, saber que as empresas já não funcionam sem tecnologia, mas acima de tudo, saber que as empresas não são competitivas se não houver uma visão clara de Sistemas de Informação. É por isso que a competitividade da empresa está aliada não só aos processos de liderança naturais dos seus gestores de topo, mas também à assertividade e visão empresarial de quem lidera os Sistemas de Informação.

2- O Plano Estratégico de Sistemas de Informação e o Alinhar com o Negócio

A primeira regra chave na organização, e para infelicidade dos “informáticos”, é compreender que quem lidera a empresa são as áreas de negócio e não os Sistemas de Informação. Contudo, há a salientar que o papel dos SI hoje é de ser parceiro estratégico de negócio, isto é, tem de ter um papel proactivo na indicação das reais capacidades de execução (tecnológica) perante os desafios de negócio que são colocados na organização. Uma das preocupações, do CIO, será de antecipar desafios de negócio e por isso tem de ter sempre consciência do próprio grau de maturidade da organização na adopção de Sistemas de Informação. O ter uma visão clara dos SI a 4 ou 5 anos é um dos alicerces para a melhor Gestão da Mudança e do alinhar com o Negócio, dado que permite ter o aspecto crítico de saber onde se está e para onde se quer ir, tendo uma visão transversal à organização, quebrando muitos dos vícios e “quintas” que por vezes existem nas empresas.

A criação de uma Plano Estratégico de SI obriga à discussão com as unidades de negócio, obriga à definição de premissas, de objectivos a cumprir, de datas de execução e métricas de avaliação. Para todos os efeitos, este documento permite dispor de um rumo e orientações capazes de garantir o alinhamento com o que se procura em termos de negócio. Muito se pode fazer, muito se pode falar, mas a execução e o pragmatismo necessários deverão estar explícitos de forma a todos falarem a mesma linguagem.

3- Contínua Inovação

A velocidade constante de inovações de soluções tecnológicas é por vezes inacreditável. Ao nível dos Sistemas de Informação, esta contínua e constante aposta na inovação é crítica dentro das organizações, dado que a desadequação tecnológica com o emergir de novas tecnologias, por vezes completamente disruptivas perante o que existia, podem tornar ultrapassada toda a infra-estrutura de suporte tecnológico da empresa, obrigando por isso a uma constante renovação tecnológica. O Plano Estratégico de SI tem, também aqui, um papel crítico e central, pois é nele que estão definidas as arquitecturas tecnológicas chave da empresa, no qual um dos segredos está na modularidade dos sistemas e aplicações, da forma estruturada e faseada como se evolui e se inova.

Inovar é também pensar mais além que o próximo ano, é “abrir o leque de oportunidades”, é avaliar cenários e caminhos possíveis, é identificar e apostar em componentes estratégicos de Investigação e Desenvolvimento. O implementar deste princípio em colaboração e parceria com Universidades pode permitir, mais facilmente, identificar oportunidades futuras e preparar a evolução da empresa para anos vindouros. A este nível as próprias Universidades têm também de se adaptar e abrir à sociedade, deixando de ter apenas o papel teórico, transformando-se num papel mais prático e pragmático da Investigação.

De um ponto de vista mais geral de inovação, reconhecemos hoje o papel dos Sistemas de Informação em conceitos e exemplos de Web 2.0 ou Web 3.0. Estes conceitos que se orientam à forma de interacção com utilizadores, com exemplos como o YouTube, Facebook, Twitter ou outros, estão também eles a criar um conceito na inovação tecnológica e de negócio das próprias organizações, criando o conceito Enterprise 2.0. Este conceito inovador de SI permite que a empresa interna e externamente comunique, desenvolva processos e faça negócio de formas diferentes. Estas são áreas de inovação de SI que vieram para ficar, e sobre o qual as empresas se deverão dotar tecnologicamente e criar novos modelos de negócio mais abertos para reagir e actuar directamente, de forma a não serem meros espectadores de um filme que também é seu.