sábado, 8 de setembro de 2012

O Desafio da "pancada" anunciada.

Na sequência do anúncio de ontem do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho das novas medidas de austeridade para o próximo ano de 2013, neste momento, tenho a clara sensação que as medidas anunciadas ontem foram uma forma de iniciar um processo negocial de alinhamento dos próximos passos, de forma a dar uma margem ao Governo para chegar onde quer, isto é, não ter as medidas tão severas, mas ter medidas de "pancada" forte. O Governo é constituído por bons negociadores e por isso a estratégia parece-me delineada: mandar o isco desde já e ir flexibilizando até ao ponto pretendido. 
Este é o processo capaz de dar margem ao PS e ao Presidente da República, bem como ao próprio CDS, para negociação. Esta é a razão pela qual o PS apenas sinalizou a intenção de votar contra no Orçamento, não a oficializou (ainda).

Mas deixando esta lógica negocial, normal de quem está na Gestão da "Empresa" Estado, os portugueses de facto questionam-se sobre o "Porquê de mais pancada?". E parece-me que é aqui que está o cerne da questão, pois passado 1 ano, os portugueses não sentem qualquer resultado, por mais pequeno que seja, do seu esforço feito solidariamente (e obrigatoriamente) neste último ano.

O Governo está a apostar tudo no médio prazo, sem dar nada no curto prazo, naquilo que são "fáceis quick wins" de verdadeira reestruturação da Administração Pública que se notem e, o problema é que com o passar do tempo, as decisões arrastam-se e os "poderes e lobbies instalados" acabam por ganhar a batalha ao resistir. Teria sido muito mais fácil ao Governo cortar rapidamente, antes do primeiro ano, na organização das Fundações, na organização Autárquica, na reestruturação de Institutos Públicos, entre outras ações, do que após um ano. 

A estratégia delineada foi (parcialmente correta) o de fazer "parar a máquina estatal" e o consumo exagerado que existia. Esta é a parte que os portugueses o ano passado compreenderam e, por isso, não houve grandes convulsões sociais. Agora, a realidade é que o processo de travagem foi brutal e asfixiou completamente a economia, pelo que os portugueses questionam por resultados. E, os resultados aparecem pouco, pois só estão pensados na estratégia de médio prazo e sinónimo disso é o sucesso das taxas de juro para Portugal. 
Os portugueses esperavam que os objetivos deste ano tivessem sido alcançados, ou ficado próximo, depois do seu contributo, e não compreendem como é que o défice fica bastante àquem do objetivo, que a despesa da máquina do Estado continue a crescer, etc. E, apesar de muita coisa ser a penalização dos compromissos existentes no passado, essa é uma "conversa que já não pega". Os portugueses gostariam de ter visto: "contribui para corrigir os erros e estou a ver que o meu contributo serviu para alguma coisa", mesmo que os resultados não fossem totalmente alcançados. Mas ... continuam a não ver resultados do seu esforço.

Os cortes continuados sem "libertar" dinheiro no mercado cria uma sociedade asfixiada e sem dinheiro para gastar! Conclusão: "pescadinha de rabo na boca"! O Estado precisa de mais receita, mas não permite aos portugueses gastar, acaba com toda a lógica económica de geração de valor nos fluxos financeiros e com consequente limitação da receita fiscal.
As desigualdades sociais irão aumentar. A classe média portuguesa irá continuar a definhar.

Com isto, o que veremos é que de facto muitos dos elementos jovens mais qualificados do país irão certamente para o estrangeiro, deixando o país "mais pobre" e com uma governação nas mãos de um Governo e Oposição sem experiência real no mercado.
Urge mudar. É crítico que os estímulos sejam dados, que o Estado também procure investir, que desbloqueie vários dos milhões do QREN às empresas, que através da própria CGD garanta financiamento de projetos viáveis, pois nem estes são objeto de análise, quanto mais financiamento.
 
O Governo precisa de saber controlar o "sorvedouro" da máquina Estatal, mas tem também de ser capaz através das suas empresas e institutos investir e financiar em quem procurar empreender e não se resigna com o estado das coisas. Estou certo que Portugal e os portugueses irão ultrapassar o desafio, mas é preciso que consigam ter a energia para se manterem de pé quando chegarem ao final deste projeto, caso contrário "morrem de sede" na areia da praia.
 
Por fim, uma palavra para a Oposição. A Oposição tem sido ineficaz também a vários níveis, pois o BE continua apostado na demagogia pura, o PCP procura manter a política de oposição sindical e ruidosa do "bota a baixo" e o PS que está comprometido com o plano, acabando por não se libertar ainda desse peso. A política "demagógica" dos feudos políticos da Oposição e do não alcançar dos objetivos do Governo estão em ciclo contínuo. Continua-se a não trabalhar em prol do país, mas apenas do pequeno interesse do cancelar proposta "do outro". 
Seriedade na política é essencial e precisa-se. Quando todos respeitam o Prof. Adriano Moreira é por isso mesmo: os seus valores de seriedade sempre se mantiveram! E é por isso que sempre foi respeitado. Sejam sérios e trabalhem para Portugal efetivamente de forma construtiva. Há que controlar e cortar nos gastos, mas há também de criar riqueza!

Sem comentários: