domingo, 14 de junho de 2009

As Europeias e os próximos tempos

No passado fim de semana as Eleições Europeias deram que falar na (minimalista) vida política portuguesa.
A realidade é que as cenas políticas sobem e descem tão facilmente quanto as subidas e descidas de uma montanha russa na Feira Popular (que saudades tenho da que existia em Lisboa - mais uma medida política daquelas, mas isso é outra história).


Lembram-se do caso em que o PSD estava morto? E o CDS a desaparecer com 1% ou 2%? Do Sócrates invencível? Pois é, num fim de semana os magos, comentadores e sondagens que enterraram uns na 6ª feira, no domingo quase faltou passarem a dizer "Eu sempre disse ...".


Fazendo uma pequena análise das eleições:

PS

É um facto! O Eng. Sócrates saiu derrotado no domingo, mas creio que acima de tudo foi pelo cabeça de lista e não apenas pelas políticas dele. Agora enterram-no, mas ele tem capacidade suficiente (se assim o quiser) para mostrar que sabe dar a volta. Será difícil, estando o mercado em crise e pouco a distribuir, mas veremos em breve.

Na minha opinião tem de deixar de dar tanto marketing espectáculo e assumir o risco de Executar e Tomar Decisões. É isso que o país precisa. Na política deve-se estar para servir, decidir e fazer (por muito que abutres sugadores andem a viver à conta e adorem o status quo).


PSD

A estratégia de Ferreira Leite é claramente a de mostrar "quem manda". E o povo português, pode até não gostar da aparência dela, mas aprende a respeitá-la e a ouvi-la.

O PSD há muito precisava de alguém capaz de ser "forte" nas suas ideias e menos "espectáculo". Com ela percebe-se que há uma linha de rumo estratégica e não de tática de criação de notícias. É de facto uma alternativa.

Começou titubiante, com dificuldades de falar, de como dizer o que pensava, mas com o passar do tempo já aprendeu a mover-se nas areias movediças da política e da comunicação social do contra.


BE

Um sinal de que há ainda quem gosta da política do "quanto pior melhor". E pelos vistos já são 10%.

Um vencedor nestas eleições.

Há uma coisa que (por muito que me custasse) gostava que acontecesse: ver o BE no Governo, pois rapidamente iriamos ver os efeitos que ocorreram como na Câmara de Lisboa, isto é, o Zé (que era preciso e que muitos milhões custou à cidade com o Túnel) chegou ao Governo da capital e viu-se o que se passou. Aquilo que apregoava já é dito de outra forma e o BE de Lisboa rapidamente começou a "corroer-se" internamente até à cisão do Zé e do BE.


CDU

O passar dos tempos não tem passado para a zona comunista. Na minha opinião, apesar de terem sido ultrapassados pelo BE, a linha continua e manter-se-á. A evolução e persuasão é lenta, mas consistente.

A crise económica dá-lhes uma ajuda. O trabalho incansável a organizar greves e manifestações deu resultado em votos, pois aumentaram a sua votação de forma interessante.

A ver vamos se o 4º lugar é provisório e passageiro, mas ...


CDS

A equipa do 2%?! Os jovens que iriam voltar ao táxi, e até vi escrito que iriam passar para um Smart Two, demonstraram que o trabalho compensa, mesmo tendo a comunicação social maioritariamente contra e à espera de um deslize numa frase ou numa vírgula para "cair em cima".

Pois bem. O trabalho de "cigarra" que esta estratégia realizada por Paulo Portas desde a sua recondução na liderança do partido, tem demonstrado ser consistente e profícua. A aposta em tomadas de posição maioritariamente sérias (concorde-se ou não com elas) tem demonstrado estar correcta. A caminhada do partido que não é claramente de "um homem só", está à vista o conjunto alargado de outros nomes (Nuno Melo, Diogo Feio, Teresa Caiero, João Rebelo, Pedro Mota Soares, Pires de Lima, etc.).

O que falta mais? Precisa de ser ainda mais consistente nas suas tomadas de posição, marcar a agenda política (mas sem a "ganância" de aparecer por aparecer) e acima de tudo Inovar em Ideias e Formas de fazer a política.



A ver vamos como será Setembro!

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