quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O 25 de Novembro em Portugal: a data normalmente esquecida


Passados mais de 30 anos sobre o 25 de Novembro e 25 de Abril , verificamos, felizmente, uma evolução num conjunto de valores do país. São eles a Paz, a Ambição da Pátria, a Justiça e a Liberdade.

A Paz foi um dos primeiros valores a ser alcançado, pois os anteriores conflitos militares em que Portugal se encontrava, com mais ou menos razão, terminaram. Devemos relembrar que a forma como terminaram não foi a mais correcta. À época “largaram-se” muitos portugueses sem qualquer tipo de apoio, alguns deles ainda hoje sofrem com isso. Os militares finalmente estão a receber algum apoio, quando foram sucessivamente esquecidos e ignorados ao longo dos anos. O importante, acima de tudo, é que não nos deveremos esquecer daqueles que apoiaram Portugal em momentos difíceis, quer lutando, quer trabalhando nas ex-colónias.
O 25 de Novembro e o 25 de Abril vieram trazer Paz, não só a Portugal, como aos países de Língua Oficial Portuguesa. Portugal é hoje um País em Paz, e esse é um valor muito especial que deveremos continuar a preservar.

A Ambição da Pátria é o segundo valor fundamental para o desenvolvimento do País e para a auto-estima de um povo que é conhecido pelo seu FADO. Eu considero que Portugal e os Portugueses, de forma geral, têm pouca ambição. Não só ambição interna, mas acima de tudo ambição internacional.
Portugal e os Portugueses devem olhar para os melhores casos nacionais e internacionais, deixando-se da filosofia de “olhar para o próprio umbigo”. Devem deixar de utilizar uma cultura de “quintais e quintalinhos” e perceberem que quem trabalha mais, quem merece, e quem tem mérito deve destacar-se e não ser bloqueado. Na política é igual, não se deve apregoar uma coisa, e fazer a outra. Não se deve ceder à política do facilitismo, mas sim fazer uma política de responsabilidade, de preserverança e essencialmente de Ambição. Não é a ambição apenas para ser o melhor do meu “bairro”, mas sim a ambição de ser o melhor meu concelho, do meu país e, até do mundo. As políticas devem ter exactamente esta filosofia, o de premiar as boas propostas.

A Justiça foi o terceiro valor alcançado com o 25 de Abril e 25 de Novembro. Pelo facto de até 1974 se viver numa ditadura, automaticamente estamos a falar de injustiças. Contudo é sempre bom recordar que após o 25 de Abril, o país chega a sentir-se ameaçado pela guerra civil, até que, nos finais de 1975, se alcança uma situação que permite caminhar para a estabilização de um sistema político democrático. Dá-se o 25 de Novembro de 1975. Aí sim, estabelece-se um Sistema mais justo, um País mais justo.
Passados mais de 30 anos, verificamos que ainda muito há a fazer. Olhamos para os diferentes casos de Justiça que estão hoje a ser julgados e percebemos que ainda muito há por fazer. Casos que se arrastam pela eternidade, processos que ficam esquecidos, tribunais que estão asfixiados por “pilhas” de processos. A Justiça ainda tem muito a crescer!
Analisando de forma menos apaixonada pelo País e mais racional, compreende-se que Portugal ainda está numa fase de definição da sua própria identidade para o séc. XXI, traduzindo-se o plano da Justiça Social e Judicial, um dos vectores mais claros quanto a essa imaturidade do País.
Necessitamos, todos nós políticos, de melhorar e dar contributos de forma pro-activa e não reactiva, para a melhoria destas condições de Justiça Social e Judicial.

Finalmente, aquele que é um dos valores mais importantes para o crescimento de uma sociedade: a Liberdade. A Liberdade cria discussão, cria evolução, cria o futuro. É no futuro que devemos pensar, por isso o papel de todos nós no querer a clareza de processos e no quer mais e melhor, é fundamental. O cidadão tem de ser exigente não só consigo, mas com todos, inclusivé com o Estado. O exigir que os seus impostos sejam aplicados em medidas efectivas e não artificiais, o exigir que as instituições do Estado com que interage lhe respondam eficientemente.

Quando conseguirmos alcançar o nível de maturidade destas 4 variáveis fundamentais, aí sim, seremos um País melhor e capaz de ter vantagens competitivas claras perante os novos desafios globais do século XXI.

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